
Permitam-me que comece por agradecer o amável convite do Senhor Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas e dizer-vos o muito gosto e honra que sinto em estar aqui hoje, neste momento tão simbólico para o Estado Maior General das Forças Armadas.
Cerimónia que não há memória de alguma vez se ter realizado na Madeira, por isso maior é o significado.
Porque demonstra, uma vez mais, a atenção que as nossas Forças Armadas têm sempre tido com esta Região Autónoma, bem evidente na afectação de meios humanos e operacionais que tanto têm ajudado a Comunidade nos mais variados contextos, desde aos transportes de emergência médica ao socorro no mar, culminado no papel vital em situações de calamidades naturais.
Mas também porque também assim se reconhece a importância que, há mais de cinco séculos, estas ilhas têm tido para a dimensão da nossa soberania nacional e para a afirmação de Portugal no Mundo.
A Região Autónoma da Madeira é um arquipélago no meio do Atlântico, que permite que Portugal seja a terceira maior zona exclusiva da União Europeia e o correspondente a cerca de 11% desta entidade.
É a porta da Europa para a África e América do Sul.
São conhecidas as assinaláveis infraestruturas críticas que ligam a Madeira, e por essa via, Portugal e a Europa, à África e à América do Sul.
As autoridades regionais têm acentuado a importância geoestratégica e geopolítica da Madeira. Sobretudo nestes tempos conturbados. Já é do conhecimento de todos vós.
As Forças Armadas têm cumprido integralmente os seus deveres na Região Autónoma da Madeira, garantindo nestas terras a soberania do Estado, a independência nacional e a integridade territorial do nosso País.
Têm sido projectadas unidades militares aqui sedeadas para missões militares internacionais no âmbito militar, incluindo missões humanitárias e de paz.
É exemplar a cooperação com as forças e serviços de segurança tendo em vista o cumprimento conjugado das respectivas missões no combate a agressões ou ameaças transnacionais.
Como também tem sido imprescindível a colaboração em missões de protecção civil e em tarefas relacionadas com a satisfação das necessidades básicas e a melhoria da qualidade de vida das populações desta Região Autónoma.
Neste sentido, uma palavra especial de reconhecimento para o Estado Maior General das Forças Armadas, em especial o Senhor General Chefe do EMGFA, que tem a fundamental missão de planear, dirigir e controlar a execução da estratégia da defesa militar, bem como o emprego das Forças Armadas no cumprimento das missões e tarefas operacionais que a estas incumbem.
Mas o EMGFA tem ainda como missão planear, dirigir e controlar o ensino superior militar, a saúde militar, as informações e segurança militares, a ciberdefesa, os aspectos militares do programa espacial da defesa nacional e a inovação e transformação nas Forças Armadas.
O que me leva para outro assunto que, nestes dias, tanto preocupa os portugueses: os importantes entraves no elevador social.
Apenas 3,6 % dos jovens que entraram este ano nas Universidades Públicas são de escalões sociais e económicos baixos.
Cerca de 10% dos que ingressam no ensino superior público desistem no primeiro ano.
70 % dos casos de retenção no ensino secundário estão associados a questões socioeconómicas.
Tudo relacionado com as rendas dos quartos e o custo de vida em geral. Meio século depois da Democracia, não se admite que sejam as condições socioeconómicas a ditar o futuro.
Ora, as Forças Armadas têm tido e continuam a ter uma função muito importante em garantir que jovens de classes sociais e económicas mais baixas possam subir no elevador social, ser o que quiserem.
Seja a nível do ensino profissional, seja do ensino superior militar.
As Forças Armadas, no âmbito das suas funções e missão, precisam de portugueses capacitados em todas as áreas técnicas, em especial em engenharia, em informações e segurança militares, na ciberdefesa, nos aspectos militares do programa espacial da defesa nacional e na inovação e transformação nas Forças Armadas.
Uma carreira única ao serviço de Portugal, onde, para além dos aspectos técnicos, são essenciais valores como a disponibilidade, a disciplina, a honra, a lealdade, a coragem, o patriotismo e o compromisso.
Nesse sentido são relevantes as iniciativas do EMGFA, através do Comando Operacional da Madeira, denominadas “palestras cidadania e Forças Armadas
Uma última nota para os Antigos Combatentes, em particular para o Núcleo do Funchal da Liga dos Combatentes.
Aproveito esta solene ocasião para amplificar aquele que é seu desejo e absolutamente justo e merecido: um monumento em todos os concelhos da Madeira em memória dos Combatentes. Sei que ainda faltam alguns concelhos.
Muito obrigado.
Funchal,3 de outubro de 2026