Alocução do Representante da República na cerimónia de comemoração do 33º aniversário do COM - 18 de março de 2026
É um prazer e um privilégio estar hoje convosco, acedendo ao amável convite de S.Exa. o Chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas, para presidir a esta cerimónia, que marca o 33º aniversário do Comando Operacional da Madeira.
Aproveito também, nesta sua primeira visita à Região, para o felicitar pela importante e merecida nomeação para as elevadas funções em que foi investido, desejando a Vossa Excelência as maiores felicidades nesta tão exigente Missão, a qual, estou certo, desempenhará com o brilho que marca a sua exemplar carreira.
Conheço a sua preocupação, como Chefe do Estado Maior da Força Aérea, em proporcionar às nossas ilhas apoio aéreo em situações de emergência, fixando no Aeródromo de Manobras nº 3 os meios necessários.
Sei também dos seus projetos para melhorar e reforçar a ação da Força Aérea na Região, o que se tornou mais imperioso face ao crescente papel geopolítico e geoestratégico que estas Ilhas vêm ganhando.
Desejo, por isso, que Vossa Excelência, nas suas novas funções, possa concretizar todos esses projetos para bem de Portugal.
Sendo este um momento importante para as nossas Forças Armadas e para a nossa Região, é para mim também um momento do maior simbolismo.
Pois será esta, com toda a probabilidade, a última cerimónia militar a que presidirei, neste final do meu último mandato.
E foram tantos, e tão marcantes, os eventos militares a que tive a honra de presidir durante estes 15 anos!
Em todos eles, sem exceção, a minha maior preocupação foi expressar o sentimento que sempre me ocorre quando penso nas nossas Forças Armadas: a Gratidão.
É o tempo certo para, mais uma vez, dizer da admiração e orgulho com que o País, e a nossa comunidade nesta Região Autónoma em particular, olha para vós.
Agradeço-vos, antes de mais, como português.
Nestes tempos estranhos, de expectativa e incerteza, olhamos ainda mais para os nossos militares como um referencial de segurança e confiança.
Vemos hoje um mundo em aparente desordem, que exige cada vez mais dos regimes democráticos e das organizações internacionais, e onde as Forças Armadas são confrontadas com situações de contornos cada vez mais complexos.
Além de serem o garante da defesa da Pátria e da soberania nacional, as nossas Forças Armadas são hoje chamadas, cada vez mais, a empenhar esforços e recursos na defesa e salvaguarda das populações, no âmbito de missões de proteção civil, como aconteceu com a recente passagem da depressão Kristin.
Esta evolução é hoje um dado adquirido, não apenas a título excecional, mas com implicações ao nível organizativo permanente.
Desde o final do século passado, os militares portugueses têm vindo a intervir um pouco por todo o Mundo onde a segurança e os interesses de Portugal o exigem, na defesa de valores universais, como os direitos humanos e a dignidade da pessoa, tendo sempre sabido responder com exemplar conduta em todas essas circunstâncias.
É do conhecimento público que, neste momento, estão a ser preparados na Região contingentes militares para intervirem em cenários internacionais; um pelotão que deverá rumar à Roménia ainda este ano, e uma companhia que irá integrar a Força de intervenção europeia.
A todos desejo a melhor sorte, e que regressem sãos e salvos às vossas famílias no final das vossas missões.
Agradeço-vos também como madeirense que sou, com orgulho.
Como salientei em numerosas ocasiões, as Forças Armadas têm cumprido um papel relevantíssimo e insubstituível aqui, na Região Autónoma da Madeira, nomeadamente ao garantir a soberania do território nacional, por terra, ar e mar, e na prestação de auxílio perante catástrofes naturais, algo que a nossa sociedade civil jamais esquecerá.
A população está grata ao Exército, à Marinha e à Força Aérea porque, através das missões humanitárias que aqui realizaram, souberam não apenas fazer cumprir o seu desígnio constitucional, mas também mostrar que são um elemento essencial de coesão da nossa comunidade.
A nossa condição insular e a distância geográfica que nos separa dos centros de decisão das matérias que ao Estado estão reservadas, comporta, não raras vezes, o risco do desconhecimento e desinteresse pelas necessidades e especificidades regionais.
Mas, felizmente, não tem sido assim em matéria das responsabilidades das Forças Armadas.
Todos testemunhámos, em especial nos últimos anos - desde a aluvião de 2010 à crise pandémica, passando pelos incêndios de 2016, 2017, 2024 e 2025 - o esforço dos militares para, por vezes com risco da integridade física das suas mulheres e homens, salvar vidas e bens.
É a força militar ao serviço da solidariedade social, o poder armado do Estado que estende a mão à comunidade, ajudando-a, de forma insubstituível, em momentos de tragédia.
Sem vós, a nossa Autonomia, que tanto prezamos e que tanto desenvolvimento nos trouxe, não seria certamente tão bem-sucedida.
Agradeço-vos, finalmente, como cidadão e como Representante da República.
Estão a cumprir-se cerca de 60 anos do dia em que fui chamado a participar, em Moçambique, numa guerra que a nossa geração não escolheu, mas que nos marcou para toda a vida.
Aprendi, desde essa data, a conhecer e a respeitar a instituição militar, os seus valores, a sua profunda dedicação ao serviço da Pátria e ao cumprimento das missões que lhe são pedidas.
Foi essa Instituição Militar e esses valores que reconheci quando regressei a esta minha terra, para exercer, as funções de Representante da República.
E, devo dizê-lo, a colaboração das Forças Armadas, e daqueles que comandaram os seus três ramos na Região, foram para mim um apoio precioso ao longo destes 15 anos.
Em todos os momentos, senti sempre das Forças Armadas – e o mesmo poderia referir das forças de segurança - um espírito de colaboração, uma disponibilidade permanente, uma consideração pessoal, que foram muito além da devida deferência institucional.
Nas circunstâncias mais díspares, desde a crise pandémica ou no calor dos incêndios, passando pela colaboração logística nas cerimónias do Dia de Portugal ou na organização de visitas de Estado, indo até ao apoio pessoal em momentos de dificuldade, sempre pude contar convosco.
É, pois, de total justiça que, neste momento em que me despeço, vos diga Muito Obrigado!
Agradeço-vos do fundo do coração.
E é com emoção que, pela última vez numa cerimónia militar, digo:
Vivam as nossas Forças Armadas, o Exército, a Marinha e a Força Aérea!
Viva o Comando Operacional da Madeira!
Viva a Região Autónoma da Madeira!
Viva Portugal!