Alocução proferida na cerimónia de homenagem ao Tenente Henrique José de Sousa Machado e ao 2.º Sargento Alberto Sena Mendes

Alocução proferida por Sua Excelência o Representante da República na cerimónia de homenagem ao Tenente Henrique José de Sousa Machado e ao 2.º Sargento Alberto Sena Mendes

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A I Grande Guerra foi o primeiro trágico conflito de dimensão global.

Milhões perderam a vida, e outros tantos viram-na mudada para sempre, na Europa e fora dela.

No âmbito das comemorações do Iº centenário da Iª Grande Guerra, é imperioso recordar e homenagear os militares portugueses, em especial madeirenses, que tiveram uma participação heroíca por Portugal e pela nossa Região.

Ainda que as hostilidades tenham chegado por mar a estas ilhas, é hoje claro que o maior impacto do conflito na sociedade madeirense foi o chamamento dos seus filhos para lutarem na “Guerra que ia acabar com todas as guerras”.

Oriundos de todos os concelhos da Madeira e de todas as classes sociais, jovens madeirenses lutaram e sacrificaram-se pela Pátria durante a Iª Grande Guerra.

É a memória desse sacrifício que nos reúne aqui hoje, na freguesia de São Pedro, na cidade do Funchal, para prestar testemunho e justa homenagem, imortalizando publicamente os nomes do Tenente Henrique José de Sousa Machado e do Sargento Alberto Sena Mendes, que aqui nasceram, cresceram e ingressaram na vida militar.

O Tenente Sousa Machado nasceu a 25 de julho de 1879, e tombou em combate a 31 de outubro de 1914, em Angola, no ataque alemão ao posto de Cuangar.

O Sargento Sena Mendes nasceu a 30 de abril de 1889 e viria a tombar em combate contra as forças alemãs em 18 de dezembro desse mesmo ano, em Naulila, Angola.

Nasceram no Funchal e foram morrer pela Pátria, longe, em Angola.

Angola, teatro da grande guerra quase esquecido, onde, mesmo sem declaração formal de guerra e perante a complacência britânica, a contiguidade com colónias alemãs provocou diversos conflitos de fronteira, nos quais apenas o heroísmo dos soldados portugueses, sem preparação e sem recursos, conseguiu impedir os propósitos do exército mais bem equipado do Mundo.

Ai viveram, lutaram e sucumbiram estes nossos militares, sem apoio médico sanitário apropriado, com uma alimentação desadequada, atuando ainda num contexto de hostilidade das populações.

Nem sempre a História escrita faz jus às personagens marcantes que mudaram o seu curso.

Assim como nem sempre a sociedade recorda os seus heróis no tempo próprio e com as honras devidas.

Aqui, na Região, já recordámos e homenageámos outros militares madeirenses que faleceram em combate no contexto do primeiro conflito mundial.

Ao perpetuarmos hoje a memória destes nossos conterrâneos, completando um ciclo, cumprimos um dever de gratidão para com todos aqueles que ofereceram o seu maior sacrifício – a sua vida- por todos nós.

Parafraseando Sua Excelência o Presidente da República, diria que aqueles que combatem ou combateram ao serviço de Portugal devem merecer o maior respeito e admiração, pois constituem um pilar essencial da reserva moral da nação.

Recordá-los é um dever que temos.

Para com os nossos mortos no teatro de guerra.

Para com as suas famílias.

Para com a nossa consciência.

Minhas senhoras e meus senhores,

Não posso terminar sem relevar a conjugação de esforços da Câmara Municipal do Funchal e do Comando Militar da Madeira que permitiu hoje concretizar esta justa homenagem.

Bem como o papel fundamental da Liga dos Combatentes, cuja dinâmica para dignificar e honrar todos aqueles que caíram pela Pátria, concretizada em inúmeras iniciativas e comemorações, nos últimos anos e protagonizada, a nível nacional, pelo Senhor General Chito Rodrigues e, a nível regional, pelo Senhor Tenente Coronel Laureano, nunca é demais realçar e elogiar.

A todos os que contribuiram para o brilho desta justa homenagem e a todos os que se dignaram nela participar, o meu obrigado sincero e profundo.