CERIMÓNIA DE HOMENAGEM ÀS COMUNIDADES PORTUGUESAS

MENSAGEM PROFERIDA PELO REPRESENTANTE DA REPÚBLICA PARA A REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA NA CERIMÓNIA DE HOMENAGEM ÀS COMUNIDADES PORTUGUESAS, NO DIA 10 DE JUNHO DE 2016

 

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Comemora-se hoje o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

É momento de celebrar a nossa identidade pátria de mais de oito séculos, homenageando o poeta que melhor a cantou e lembrando todos os portugueses que, estando espalhados nas quatro partidas do mundo, nunca se esquecem e nunca nos esquecem.

E, em especial, os nossos conterrâneos, que, da Venezuela à Austrália, da África do Sul às ilhas do Canal, do Canadá aos Estados Unidos, do Brasil à Suíça, de Angola ao Reino Unido, querem cultivar e reforçar os laços com a sua terra de origem.

Saúdo-os com especial afeto e alguma emoção porque eles continuam a ser o melhor de nós.

Na sua capacidade empreendedora.

Na sua ética de trabalho e na determinação com que enfrentam os desafios.

Na forma como se integram nas comunidades que os acolhem.

Mas também na maneira tão nossa como valorizam a família e os amigos, e as festas e as tradições religiosas que mitigam as saudades da terra de onde partiram.

E como, no fundo de si, continuam a lembrar a pequena ilha que, como diz o poeta José António Gonçalves, "é a minha sina voluntária e segura, o cântico que aprendi de pequeno para entoar toda a vida".

Minhas senhoras e meus senhores,

PARTIR é um verbo tão simples.

No entanto encerra tantas histórias de vida por contar, tantos destinos diferentes, tantos percursos de sucesso, e tantas idas sem regresso.

Partiram ontem pais de família, em busca de uma qualidade de vida que o atraso do país não permitia a quem só tinha a força dos seus braços, deixando mulher e filhos, na esperança que o trabalho em terras distantes os voltasse a juntar.

Partem hoje filhos formados, dos melhores da sua geração, famílias adiadas, paixão pela educação a que o país não conseguiu corresponder.

E é esta a responsabilidade dos que ficam, sobretudo daqueles que a nossa comunidade escolhe para nos governar: criar condições de atração para todos, os que desejam ficar e também para aqueles que partiram mas aspiram regressar.

Agradeço-lhe pois, caro Senhor Alcindo Abreu Aires, ter partilhado connosco a sua notável história de vida.

Uma história de luta e de trabalho, de persistência e de sucesso

Mas, sempre, uma história de Amor à Madeira e a Portugal.

Minhas senhoras e meus senhores,

Não podemos, neste momento de comemoração, esquecer que algumas sombras pairam sobre muitos países que são destinos tradicionais de acolhimento das nossas comunidades.

E, se dificilmente conseguimos interferir no devir do Mundo, como Nação universal que somos, devemos enfrentar as dificuldades com esperança e confiança.

Esperança que os Estados em crise consigam encontrar, no quadro das suas instituições, as respostas que garantam a fraternidade entre os membros da sua comunidade, onde se incluem os nossos concidadãos.

Confiança na convicção de que as nossas comunidades nunca serão parte do problema, mas poderão ser sempre parte da solução.

E dizer-vos, deste pequeno ponto do Atlântico de onde um dia partiram, que estaremos sempre solidários convosco.

Muito obrigado.