Cerimónia de entrega de prémios do Concurso Literário: “DIA DE CAMÕES DE PORTUGAL E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS”

MENSAGEM PROFERIDA PELO REPRESENTANTE DA REPÚBLICA PARA A REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA POR OCASIÃO DA CERIMÓNIA DE ENTREGA DE PRÉMIOS DO CONCURSO LITERÁRIO “DIA DE CAMÕES DE PORTUGAL E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS”, NO DIA 4 de JUNHO de 2016

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 Dando sequência ao que começa já a constituir uma tradição – digo-o com muita felicidade –, com esta cerimónia de hoje iniciamos, aqui na Região Autónoma da Madeira, as comemorações do “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”.

Sempre vi este concurso como muito mais do que uma salutar competição entre jovens que cultivam a nossa língua.

Na verdade, esta é desde logo uma forma de associar as novas gerações às comemorações do 10 de junho, que é uma data da cultura, da história e da cidadania.

Mas é uma iniciativa que também pretende mostrar aos menos jovens que podem estar confiantes, com uma juventude que quer chamar a si o futuro.

Nada é mais tocante do que contemplar um texto que nos surpreende.

E é fundamental que nos mostremos recetivos ao que os nossos jovens têm para nos transmitir, que lhes passemos a mensagem que estamos abertos a ser surpreendidos por eles.

Este concurso pretende ser, em grande medida, uma demonstração dessa abertura e disponibilidade.

É, portanto, particularmente gratificante quanto podemos constatar, de ano para ano, o crescente interesse que esta iniciativa tem merecido, bem expresso no aumento de textos a concurso.

Mas, ao mesmo tempo, há algo mais.

Estimados alunos,

Já em diversas ocasiões – ainda no ano passado, nesta mesma cerimónia – sublinhei o tema de que “saber é poder”.

É que o agir – a vida - precisa da imaginação, isto é, da capacidade de “ver aquilo que não está à vista”, uma capacidade de entendimento gerada na e pela cultura, dando autonomia à pessoa para alcançar coisas novas, que nunca existiram, que nunca foram feitas.

É o saber que permite “agir” – e não simplesmente “fazer”; e a necessidade de agir pergunta pelo sentido das coisas.

A língua é cultura, mas também acesso ao conhecimento; e o conhecimento, o saber, é também poder.

Estamos hoje, mais do que nunca, carentes de imaginação, de criatividade. Precisamos de novas ideias nos mais diversos domínios.

Para isso, o caminho da ciência, da língua, do conhecimento é o único que nos pode assegurar um porvir mais autónomo, reconhecido pelos nossos parceiros e pela comunidade internacional em geral.

Por outro lado, a vossa formação será uma arma para enfrentarem os desafios da vida, sabendo que quanto mais aprofundada ela for mais preparados estarão para ultrapassar as adversidades.

Realmente, “saber é poder”:

É capacidade de escolher o futuro, de orientar o nosso destino.

Dir-me-ão que o Prémio de hoje constitui um momento de revelação do talento dos nossos jovens.

Mas o talento dá muito trabalho.

A maior das inspirações só é possível porque a montante ficou um longo percurso de preparação, de estudo; horas, dias, meses, anos de esforço, acreditando que em algum momento se colherão os frutos desse trabalho.

Mais de 90% de uma ideia brilhante é resultado do trabalho longo. A inspiração, propriamente dita, a iluminação, é apenas um momento tornado possível em razão de um percurso esforçado.

Por isso, todos podem lá chegar.

Com árduo trabalho, todos podem aspirar ao seu momento, ao reconhecimento, ao sucesso, a fazer a diferença.

Esta é uma lição que a vida nos ensina, que a democracia nos permite, e que temos o dever de vos transmitir.

O trabalho, a persistência permitem sempre alcançar resultados.

Dar esperança aos nossos jovens no resultado do seu trabalho é um combate diário; e neste combate, o vosso esforço, Senhores Professores, é determinante.

Tenho uma genuína admiração pela vossa nobre tarefa que diariamente realizam, e quero por isso homenageá-los também, assim como à vossa perseverança em proporcionarem o melhor ensino aos nossos alunos, tantas vezes com dificuldades que parecem intransponíveis.

A escola deve lutar tão arduamente quanto possível para tornar os alunos ávidos de saber e preparados para lidar com questões complexas.

Note-se que esta necessidade é atualmente tanto mais relevante quanto o mercado de trabalho solicita uma formação cada vez mais avançada.

Às licenciaturas, já de si tão exigentes, acrescem hoje mestrados (e mesmo doutoramentos) que os empregadores já não dispensam.

E, a este nível, o domínio da língua e a expressão escrita e oral são condições essenciais de sucesso.

E se a comunidade deve estar grata a todos os professores, permitam-me que, neste contexto, destaque aqueles que se dedicam a habilitar os nossos jovens a bem compreender, falar e escrever a nossa língua.

Num tempo em que, por vezes, se sobrevaloriza a importância dos avanços tecnológicos e da informação massificada em detrimento da cultura, é motivo de otimismo ver que o nosso sistema de ensino, público e privado, continua a incentivar nas novas gerações o gosto pela escrita, pela leitura, e pela reflexão sobre a nossa identidade nacional e a nossa História.

             Sejamos claros; numa época onde a globalização parece colocar em causa todos os valores civilizacionais, é cada vez mais importante defendermos aquilo que torna única a identidade portuguesa: a nossa Língua e a nossa História.

Quero também destacar a importância da família como elemento da “comunidade escolar” num sentido lato.

O ambiente familiar é uma condição do bom desempenho escolar.

Todos sabemos o quão difícil é para os pais acompanharem os seus filhos nas suas atividades escolares e circum-escolares.

A vida laboral é hoje mais móvel, muitas vezes mais incerta, e tantas vezes mais intensa e absorvente.

Pedir aos pais um sobre esforço no acompanhamento intenso da vida escolar dos seus filhos pode parecer excessivo.

Mas é preciso pedi-lo, tanto quanto é necessário pugnar por melhores condições para esse acompanhamento em termos estruturais: na administração pública, nas empresas, nas escolas e nas nossas estruturas de proximidade.

E normalmente esse esforço tem um retorno de satisfação elevado perante os sucessos dos nossos filhos.

Na nossa língua depositamos em grande medida a esperança da nossa afirmação num Mundo em que também as culturas concorrem entre si.

E esta esperança é redobrada ao ver o patamar de qualidade dos trabalhos apresentados a concurso, nomeadamente os dos premiados:

1º. Prémio – Maria Francisca Alegra Batista, aluna do 12º ano da Escola Secundária Francisco Franco;

2º. Prémio – Luís Daniel Rojas, aluno do 9º ano do Colégio de Santa Teresinha;

3º. Prémio – Sara Maria Fernandes Spínola, aluna do 9º ano da Escola Básica 123/PE Bartolomeu Perestrelo.

Parabéns pelo vosso trabalho e pelo vosso prémio!

Caros Alunos,

   A vossa participação neste concurso, e o aumento da quantidade e diversidade dos trabalhos apresentados que se tem verificado, é a melhor prova que as previsões que asseguravam a decadência rápida do interesse pela leitura e pela escrita nas novas gerações são, felizmente, muito exageradas.

É portanto para vós o meu primeiro agradecimento, extensível a todos os vossos colegas que participaram nesta iniciativa.

Permitam-me, também, que agradeça a um conjunto de entidades sem as quais a entrega deste prémio não seria possível.

   Ao júri do concurso, composto pelos Senhores Drs. Irene Lucília Andrade, que presidiu, Agostinho Lídio Araújo e Anabela Nóbrega Coelho Abreu Pita, que, de forma abnegada, aceitaram ler os trabalhos apresentados e escolher os vencedores deste prémio.

   A todas as individualidades do Governo Regional que connosco colaboraram, o meu muito obrigado também: em especial ao Senhor Dr. Jorge Carvalho, Secretário Regional de Educação, que connosco se empenhou na atribuição deste prémio, e muito colaborou para a respetiva disseminação e brilho.

   Ao meu Gabinete, pela dedicação com que abraçou este projeto e por todo o apoio que sempre me concedeu.

   Por fim, uma palavra especial e pública à pessoa que esteve na origem deste Prémio: a minha mulher, também ela professora de português.

Esta iniciativa, afirmo-o com gosto, deve-se a uma ideiae empenho seu, pela qual lhe estou profundamente grato.

Muito obrigado a todos!