CERIMÓNIA DE ENTREGA DE PRÉMIOS DO CONCURSO LITERÁRIO

 

Mensagem proferida por Sua Excelência o Representante da República a 7 de junho, no Palácio de São Lourenço, na cerimónia de entrega de prémios do Concurso Literário “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas

 

  Iniciamos hoje as comemorações do dia 10 de junho com a atribuição dos prémios relativos ao concurso “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”.

  Este prémio pretende associar as gerações mais novas às comemorações do dia 10 de Junho.

  Deseja-se, desta forma, chamar os nossos jovens a participar na vida cívica do seu país, através da redação de um texto escrito.

  Com o exercício da escrita através de um concurso literário visa-se abrir um espaço de reflexão sobre temas que interessam à nossa vida coletiva permitindo reforçar a coesão e a consciência nacional, promovendo o diálogo intergeracional.

Esta reflexão escrita constitui, por isso, uma bela forma de homenagear Portugal e, bem-assim, o símbolo deste dia, o nosso maior poeta, Luís de Camões.

Minhas senhoras e meus senhores

Meus caros alunos

A língua portuguesa une povos do mundo inteiro.

Já dizia Fernando Pessoa, cito, “ A minha Pátria é a língua portuguesa”.

Na verdade, a nossa língua mãe é uma das mais faladas a nível mundial e representa hoje um inegável capital, quer económico, quer cultural e civilizacional.

  Mas não basta conhecer a língua.

  É preciso saber utilizá-la como uma ferramenta que, estando ao alcance de todos, permite que nos projetemos individualmente a diferentes níveis, nomeadamente pessoal, cultural e profissional.

  É por isso que gostaria de me referir aqui a um problema central na nossa sociedade: a iliteracia.

  Aprender não significa apenas saber escrever e saber ler.

  Aprender significa também compreender e interpretar os textos.

  Devemos ter consciência deste problema, sobretudo na formação dos nossos jovens.

  Trata-se de uma questão que atravessa diferentes áreas e que será decisiva para o futuro das novas gerações.

  Mas a iliteracia não se resume à incapacidade para interpretar textos.

  A iliteracia abrange outras realidades como a incapacidade para compreender o mundo político – assim se explicando em parte a elevada abstenção nas recentes eleições ou, enfim, a incapacidade de entender a sociedade em que vivemos.

  É por isso que entendo ser decisivo para o sucesso das novas gerações combater a iliteracia.

E neste combate, o vosso esforço, senhores professores, será decisivo.

Sem uma escola que persiga o interesse público, constituindo-se como verdadeiro motor da equidade na oferta de oportunidades para todos, colmatando fatores adversos de natureza económica ou social, e professores motivados, dificilmente será possível vencer essa batalha.

Mas guardo uma esperança legítima de que vamos conseguir reduzir a iliteracia para mínimos aceitáveis, alcançar os nossos objetivos, construindo a partir da escola e dos múltiplos percursos que ela pode oferecer.

Apreendi a admirar, senhores professores, o vosso trabalho, diria a vossa coragem, para proporcionarem o melhor ensino aos vossos alunos.

  E esta esperança é redobrada ao ver o patamar de qualidade dos trabalhos apresentados a concurso, nomeadamente os dos premiados, Carolina Santos Dantas, Mónica Cecília da Silva Jorge e Patrick Martins.

Parabéns pelo vosso trabalho e pelo vosso prémio!

Meus caros estudantes:

Nestes tempos cinzentos, de futuro incerto e pouco risonho, poderá, por vezes, assaltar-vos a dúvida: vale a pena estudar, ser bom aluno, obter um grau universitário, quando isso já não me garante à partida uma oportunidade de emprego?

Gostaria de vos dizer, com base não só na minha experiência mas com dados objetivos, que a resposta é só uma e sem equívocos: sim, vale sempre a pena estudar.

A observação da nossa realidade socioeconómica permite concluir que os que menos estudam são os mais desfavorecidos num espaço de grande competitividade e exigência.

Como lembrou o Senhor Presidente da República, cito, “ quanto pior não seria o panorama social de hoje se os nossos jovens não dispusessem de bons níveis de escolaridade para poderem aceder ao mercado e procurar o seu caminho profissional».

Não tenham hesitações, os vossos conhecimentos serão a vossa arma para enfrentar os desafios das vossas vidas e quanto mais profundos forem esses conhecimentos menos difícil será ultrapassar as dificuldades.

Permitam-me, por fim, que agradeça a um conjunto de entidades sem as quais a entrega deste prémio não seria possível.

Ao júri do concurso, composto pelos Senhores Doutores Irene Lucília Andrade, que presidiu, Agostinho Lídio Araújo e Maria Eduarda Campos Teixeira Silva que, de forma abnegada, aceitaram escolher os vencedores deste prémio.

  A todas as individualidades da Secretaria Regional da Educação e Recursos Humanos que empenhadamente colaboraram connosco, e especialmente ao Excelentíssimo Senhor Secretário Regional da Educação e Recursos Humanos por ter apoiado, com entusiasmo que muito me sensibilizou, esta iniciativa desde o primeiro momento em que lhe foi transmitida.

Sem a vossa atitude, Senhor Dr. Jaime Freitas, este Concurso não teria tido nem o brilho nem a extensão que nos recompensam.

  Ao meu Gabinete, pela dedicação com que abraçou este concurso e por todo o apoio que sempre me concedeu.

  Deixei para o fim a pessoa que esteve na origem deste Prémio: a minha mulher, Carla Ferreira Barreto, também professora.

Esta iniciativa, afirmo com gosto, deve-se a uma ideiae empenho seu, pela qual lhe estou profundamente grato.

 

Muito obrigado a todos!